A disciplina dá resultado


Não vou discutir as vantagens e desvantagens dos vários modelos políticos, foge ao escopo do Mosca. Mas vou mostrar as vantagens que um povo disciplinado (e educado!) pode fazer em situações que demandam organização.

Um artigo publicado pela Bloomberg por Lionel Laurent, aponta os resultados comparativos entre países, ou regiões ocidentais, versus asiáticas, neste momento que uma certa desesperança acomete o aumento dos números de infectados em países do Hemisfério Norte.

É fácil sentir que não há luz no final do túnel, quando o assunto é Covid-19. As unidades de terapia intensiva da Europa estão se enchendo novamente, levando a França e a Alemanha a uma nova rodada de restrições e confinamentos - embora projetadas para serem mais amenas que as primeiras. Mesmo países atingidos pela primeira onda, como Itália e Suécia, estão vendo um aumento nos casos, indicando que a imunidade do rebanho está muito longe.

No entanto, não devemos ignorar as melhores notícias da Ásia. As estratégias seguidas pela Coreia do Sul, Vietnã, China e outros ainda parecem estar valendo a pena. Enquanto o número total de mortes de Covid-19 está entre 500-700 por milhão de pessoas na França, no Reino Unido, na  Espanha e nos Estados Unidos, este número está abaixo de 10 por milhão na China e na Coreia do Sul. O número de casos não é uma medida tão perfeita, mas observa-se uma diferença parecida. Wuhan, que já foi o epicentro de Covid-19, está recebendo turistas novamente.

A percepção de uma vantagem asiática nesta pandemia costuma cair no pensamento essencialista: de alguma forma o Oriente está fazendo coisas que o Ocidente nunca poderia fazer, e isso se deve em grande parte a profundas diferenças de valores, política e cultura. Se a China é capaz de conter o Covid-19, deve ser por causa da política governamental draconiana e dos laços sociais do confucionismo. Se Cingapura tem 28 mortes, o crédito deve ser dado ao legado original de pragmatismo autoritário de Lee Kuan Yew.

Há provavelmente forças muito menos intangíveis em funcionamento. Se a solução para evitar mais bloqueios é encontrar uma maneira de "viver com o vírus" — através de testes generalizados, rastreamento de contatos e isolamento de casos positivos para transmissão lenta — os países ocidentais cometeram erros estruturais, não culturais.

Testes extensos foram realizados na Europa após a primeira onda, mas foram lentos e tardios demais para evitar atrasos e gargalos. Rastreadores de contato foram muito poucos; aplicativos digitais foram deixados ao léu. Pessoas que testaram positivo não levaram o isolamento a sério, pela falta de fiscalização e apoio financeiro confiável. Não são questões filosóficas, mas de implementação de políticas. Angela Merkel, chanceler da Alemanha, admitiu isso quando disse que os líderes da EU deveriam ter agido antes. Mesmo os alemães, conhecidos por sua organização, não conseguiram parar a segunda onda.

Compare isso com a Ásia, onde os sistemas de saúde pública têm se mostrado mais robustos. A Coreia do Sul testou cedo, e com frequência, usando centros de walk-in e drive-throughs. Em Wuhan, as autoridades testaram 11 milhões de pessoas em 2 semanas. A parcela de testes positivos na Coreia do Sul e no Vietnã está abaixo de 1%; na França e na Espanha subiu para 10%.


Embora estratégias de rastreamento de contato, como a varredura de dados pessoais de "terceiro grau" no Vietnã — ou as pulseiras rastreadoras de Hong Kong — assustem o londrino médio, os europeus não conseguiram implementar suas próprias alternativas corretamente. Entre julho e agosto, por exemplo, o número de contatos rastreados por caso positivo na França caiu de 4,5 para 2,4. Se o teste e o rastreamento caem dessa forma, não é de se admirar que não possamos controlar a propagação do vírus.

Quanto à quarentena de casos positivos, vale a pena considerar a decisão da China e da Coreia do Sul de monitorar — ou, reclamariam alguns, aprisionar— pacientes com casos mais leves em centros de atenção especial. Manter as pessoas presas em casa não parece muito mais liberal, especialmente quando as pessoas são levadas a sair pela necessidade de ganhar a vida. Também é muito menos eficaz: um estudo estima que o isolamento em instituições, ao longo de uma epidemia, poderia evitar quase três vezes mais casos em comparação ao isolamento domiciliar.

As diferenças entre a Ásia e a Europa parecem mais enraizadas na história recente que na antiga. Nos últimos 20 anos, a Ásia foi atingida por várias epidemias, como o SARS em 2003 e o MERS em 2015, o que forçou os países a se adaptarem e melhorarem suas instituições. Isso também estimulou os países a investir em saúde pública: entre 2000 e 2016, os gastos per capita com saúde do Vietnã aumentaram em média 9% ao ano. Em contrapartida, os países europeus têm fechado hospitais e leitos, mais preocupados com suas crises financeiras do que com doenças.

Ao iniciarem seu bloqueio de inverno, os europeus devem lembrar que é possível melhorar. E a boa notícia é que os países estão colaborando mais como União Europeia, em esforços como a implantação de testes de antígeno mais rápidos e o compartilhamento de recursos. Se a Ásia conseguiu aprender com pandemias passadas, o Ocidente também é capaz de fazê-lo.

Embora o artigo seja uma visão mais simplificada sobre o assunto, eu acredito que é uma questão mais cultural que de medidas adotadas pelos governos, embora estes também sejam influenciados pela preferência de seus eleitores. A segunda ou terceira onda foi ocasionada em grande parte pela população jovem, que não se sentiu ameaçada pelo vírus e resolveu “chutar o pau da barraca”, como se diz em linguagem coloquial.

A verdade é que, talvez com um sofrimento um pouco maior da população asiática, os resultados são visíveis do ponto de vista econômico. Por exemplo, veja a seguir os dados de manufatura recente relativos a China.


No post segunda-onda-em-curso, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” Nada feito no dólar, nenhuma direção ainda clara. Observando o movimento de curto prazo poderia fornecer algum tipo de orientação, porém, as alterações nesse sentido ocorrem de maneira mais dinâmica o que poderia confundir o leitor” ...


O dólar está atingindo níveis que justificam um eventual trade de venda. O motivo é de ordem técnica, que vou explicar mais à frente, e de posicionamento. Antes que meu amigo se manifeste, deixa eu assumir que somente o Mosca e o Banco Central estão nessa posição, é verdade que nós pela razão acima e o BC porque não tem alternativa.

O movimento apontado na área em laranja parece estar completo, ou próximo a completar. Isso não significa que não poderia se estender e chegar próximo a R$ 6,00, a máxima atingida em maio último, esse sendo o stoploss de um pedaço do trade proposto.

Vamos observar qual o possível retorno, sob 2 hipóteses:

      1)      Folego para subir – Nesse caso, o dólar deve recuar até R$ 5,165, para em seguida voltar a subir, e ultrapassar a máxima de R$ 6,00.

      2)      Cair no vazio – Nesse caso, o dólar deve recuar até R$ 4,67, para só depois voltar a subir.

Entre essas duas opções, acho a segunda mais provável.

- David, esperei você colocar todos seus pontos, mas está difícil de aceitar que o dólar vai cair com tanta notícia ruim aqui dentro.

Talvez seja exatamente por esse motivo que pode ocorrer a queda, ninguém acredita, o que significa que o mercado está todo de um lado, comprado em dólar.

Bem vamos ao trade que proponho:

      A)      Venda de dólar (1/4 da posição normal): R$ 5,75

         Stoploss: R$ 6,00

      B)      Venda de dólar (1/2 da posição normal): R$ 5,75

        Stoploss: R$ 5,87

Essa segmentação do trade é uma estratégia quando se está em dúvida do término de um movimento, o que acarreta operar contra a direção do mercado. Uma outra forma, seria esperar o movimento de queda dar maiores indicações. Nesse caso, a entrada se daria num nível mais baixo.

A recompensa no trade proposto pode ser significativa, no primeiro caso 5,5 %, e no segundo 12%, o prejuízo se ambas as posições forem executadas é de 2%, todas a percentagens estão ponderadas pelo tamanho da posição.

O assunto mais importante nas próximas 48 horas é o resultado da eleição americana. Tudo indica que o candidato democrata, Joe Biden, deve ser eleito. O mercado parece estar agindo dessa forma, com uma forte alta no dia de hoje, como antecipando o que ocorreu nas eleições passadas conforme gráfico a seguir.


O SP500 fechou a 3.369, com alta de 1,78%; o USDBRL a R$ 5,7554, com alta de 0,23%; o EURUSD a € 1,1713, com alta de 0,63%; e o ouro a U$ 1.906, com alta de 0,60%.

Fique ligado!

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