Esperando uma falha humana #ouro

 


Hoje será publicado o resultado da reunião do Banco Central americano, com direito a sessão de perguntas e respostas. Ninguém do mercado espera alguma mudança no tom da autoridade monetária, embora se note bastante preocupação do mercado quanto ao item inflação.

Muitos indicadores apontam pressão inflacionária, e seria ingenuidade acreditar que os membros do Fed não compartilham a mesma preocupação; neste momento, porém, não podem nem pensar em alterar a estratégia estabelecida.

Não fosse a sessão de perguntas e respostas, a tarefa seria simples: escreve-se uma minuta contando que a atividade econômica melhorou, mas que ainda existe muita folga no mercado de trabalho justificando as ações de política monetária adotadas. Mas é nessa hora que Jay Powell, Presidente do Fed, será bombardeado por esse tema.

É nas situações em que uma pessoa precisa se omitir ou se esquivar de um assunto que seu controle emocional é fundamental: basta um deslize para que o interlocutor perceba. E, caso aconteça, isso poderá chacoalhar o mercado de juros. Com reuniões contendo a sessão de perguntas e respostas, a pressão vai existir em todas daqui em diante.

Essa situação é diferente da que ocorreu ontem com o Ministro Paulo Guedes, que abriu seu coração pensando não estar sendo gravado, uma falha inadmissível para seu cargo. Tenho certeza de que, ao ser avisado que estava no ar, pensou no ex-Ministro Ricupero em 1994, então Ministro da Fazenda, que disse, enquanto se preparava para entrar no ar: “Eu não tenho escrúpulos, o que bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. Isso foi suficiente para desencadear sua renúncia!

Um dos grandes gestores de fundos americanos, Jeffrey Gundlach, numa entrevista à Bloomberg, não está convencido de que a inflação seja transitória.

"Não sei por que eles acham que sabem que é transitório", disse Gundlach da DoubleLine Capital. "Como eles podem saber, com tanta impressão de dinheiro acontecendo e os preços das commodities subindo expressivamente?"

Embora o Fed tenha razão em dizer que o aumento ano a ano — Gundlach diz que pode chegar 4% — é maior em parte por causa dos números baixos induzidos pela pandemia a partir de 2020, o banco central também pode estar subestimando o impacto de suas políticas monetárias muito soltas.

"Há muitos indicadores que sugerem que a inflação vai subir mais, e não apenas em uma base transitória, por alguns meses. Então, vamos ver como o Fed está tentando pintar o quadro, mas eles estão fazendo suposições.

Gundlach é CEO e diretor de investimentos da DoubleLine Capital, de Los Angeles, que gerenciava mais que US$ 136 bilhões em 31 de dezembro.

Embora os rendimentos dos títulos permaneçam muito baixos, é difícil imaginar quem vai comprar a emissão maciça no mercado de títulos, disse ele.

"Quem vai comprar todos esses trilhões de dólares de títulos? Os estrangeiros vendem há anos e aceleraram suas vendas nos últimos trimestres, os compradores domésticos não estão exatamente vendendo, mas não estão aumentando suas posições. Então o que resta para absorver toda a oferta é o Tesouro Nacional."

Como o esperado, o Comitê de Política Monetária do Fed não mexeu uma palha na direção de indicar alguma mudança. Na secção de perguntas e respostas foi um bombardeio no quesito inflação, perguntas variadas tinham como objetivo obter alguma dica de quando e como o Fed vai começar a retirar os enormes estímulos.

As respostas foram muito incisivas que ainda é muito cedo para conversar sobre esses temas, e graças a forma como foi realizada, Powell se utilizou de anotações (escritas) para responder algumas dessas questões.

Meu julgamento sobre esse evento é que ninguém saiu convencido do contrário, ou seja, que a inflação não vai aparecer no futuro. Veja que a dúvida é sobre a magnitude, haja visto que, 2% a.a. parece ser uma certeza. A própria reação do mercado vai nesse sentido, ao imprimir um zero-a-zero nas bolsas.

No post o-FMI-perdeu-importância, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” uma alta que pode ser descomposta em 5 ondas, desta forma abre-se duas possibilidades que vou explicitar a seguir” ...

...” A) Término da queda Nesta hipótese, o ouro poderia estar em seu primeiro estágio de recuperação de preços. Essa recuperação poderia ser temporária ou definitiva. No primeiro caso, uma nova onda de quedas se sucederia, e no segundo a máxima de U$ 2.064 seria desafiada” ...

...” B)    Retomada do movimento de queda Neste caso, essa última alta recente é apenas um respiro para que o ouro retome seu movimento de queda que prevalece a alguns meses, retomando o objetivo traçado acima de U$ 1.638” ...



Passadas algumas semanas, não foi possível ainda responder em qual dos cenários o ouro poderia se enquadrar. A evolução dos preços não foi material, embora a sequência seja positiva para o cenário de alta. Na verdade, não saberemos se prevalece a opção A) ou B), mas isso não importa agora, pois ambas apontam para altas, uma delas bem maior.

Do ponto de vista técnico, o metal pode estar pronto para uma nova sequência de altas, pois os parâmetros de retração são suficientes (destacados em amarelo).



Vou aguardar um micro movimento de 5 ondas e na sequência posso sugerir um trade de compra; sendo assim, fiquem atentos às postagens.

O SP500 fechou a 4.183, sem alteração; o USDBRL a R$ 5,3565, com queda de 1,72%; o EURUSD a 1,2128, com alta de 0,31%; e o ouro a U$ 1.780, com alta de 0,24%.

Fique ligado!

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