A batalha anunciada #USDBRL

 


O futuro presidente dos EUA, Donald Trump, começou a montar sua equipe. O critério usado na escolha privilegia funcionários de sua total confiança, mesmo sem muita experiência. Porém, até o momento, ele não se pronunciou sobre as tarifas que pretende implementar sobre os produtos importados.

O presidente Joe Biden se encontrou com Xi Jinping durante as conversações à margem da cúpula anual da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) no Peru. Xi advertiu que uma relação estável entre a China e os EUA é fundamental não só para os dois países, mas também para o "futuro e o destino da humanidade".

"Façam uma escolha sensata", alertou. "Continuem a explorar o caminho certo para que dois grandes países se deem bem um com o outro." O líder chinês deixou seu recado para Trump, considerando que Biden, além de estar de saída, não se encontra nas melhores condições físicas.

Tenho certeza de que Xi Jinping não está de braços cruzados e deve estar preparando algumas medidas para combater a possível astronômica tarifa de 60% mencionada por Trump em campanha. Uma ferramenta clássica usada nessas situações seria a desvalorização cambial, permitindo que os produtos chineses cotados em dólar ficassem mais acessíveis. Daniel Moss comenta sobre essa possibilidade na Bloomberg:

A primeira linha de defesa de Pequim contra tarifas mais altas provavelmente será sua moeda. Felizmente, isso se encaixa em uma economia desanimadora.

No auge da política de dólar forte no final dos anos 1990, o Secretário do Tesouro Robert Rubin era frequentemente questionado sobre nuances dessa doutrina. Ele era relutante em mudar; até mesmo a menor variação poderia causar grandes turbulências nos mercados cambiais. Jornalistas perguntavam se a força prolongada do dólar beneficiava os interesses americanos. A análise era válida, e Rubin, ex-executivo da Goldman Sachs, não era avesso a ajustes ocasionais. Em raras ocasiões, era vantajoso para Washington permitir a desvalorização ou até mesmo vender dólares. Rubin se beneficiava de um longo período de crescimento econômico que atraía dinheiro para os EUA. O pragmatismo prevalecia.

Atualmente, a China não quer uma queda livre de sua moeda.

A postura de Pequim tem sido de manter o yuan "basicamente estável". Com o retorno de Donald Trump à Casa Branca, os mercados estão prestes a descobrir até onde essa estabilidade pode ser mantida diante de ameaças de tarifas dramaticamente mais altas. Isso poderia significar uma desvalorização gradual e moderada nos próximos anos, sem arriscar grandes disrupções ou fuga de capitais? O Banco Popular da China (PBOC) também destacou os méritos de um "nível de equilíbrio razoável". A definição de "razoável", no entanto, pode variar conforme a situação. Caso tarifas de 60% sobre as exportações chinesas sejam realmente impostas, seria necessário absorver o choque de alguma forma, e o mercado de câmbio seria um bom ponto de partida.

Permitir que o yuan — já mais fraco do que quando Trump venceu a eleição há oito anos — recue parece ser uma das primeiras linhas de defesa. A moeda caiu cerca de 3% neste trimestre e perdeu valor frente ao dólar na maioria dos dias desde a eleição, sendo negociada em torno de 7,2 no final da semana. A maioria dos economistas entrevistados pela Bloomberg News espera que o PBOC permita uma queda maior, provavelmente acompanhada de reduções nas taxas de juros e déficits fiscais mais amplos. Embora haja divergências sobre a extensão da desvalorização, é improvável que o yuan caia além de 8 por dólar.




O presidente Xi Jinping não deseja algo semelhante a uma queda descontrolada. O banco central limita as flutuações diárias, mesmo em condições normais. Embora forças de mercado influenciem, pouco acontece sem a anuência oficial. Um sinal precoce de cautela do PBOC foi observado quando o valor de referência diário da moeda foi definido acima do esperado, indicando que Pequim busca uma descida gradual, não uma desvalorização abrupta, como a que ocorreu em 2015.

Por que o nível de 8 yuan por dólar é tão simbólico?

Antes de julho de 2005, a moeda estava fixa em cerca de 8,3 por mais de uma década. Retomar esse patamar poderia simbolizar que a flexibilidade cambial foi um erro, algo que a China deseja evitar para não prejudicar os esforços de tornar o yuan uma moeda global relevante.

Sempre que câmbio e comércio entram em discussão, surge a ideia de um grande acordo, como o Plaza Accord de 1985. Apesar das dificuldades, acordos menores e transacionais são mais plausíveis. Ambos os líderes, Trump e Xi, podem evitar um conflito comercial prolongado com ações que garantam "vitórias" domésticas sem ampliar as tensões.

 

Conclusão

Uma queda controlada do yuan pode alinhar-se aos interesses econômicos da China. Enquanto isso, o pragmatismo deve prevalecer sobre uma disputa mais acirrada.

Atingir a marca de 8 yuans por dólar equivale a uma desvalorização de aproximadamente 10%. Seria isso suficiente? Para o nível de tarifa proposto por Trump, parece pouco. Nem mesmo uma redução na margem de lucro resolveria, já que dificilmente algum produto teria margem tão elevada para compensar os preços.

Do mesmo jeito que o yuan teria que ser desvalorizado, o mesmo vale para o real. Mesmo que não sejamos afetados pelas mesmas tarifas, a competitividade do real seria impactada. Se os carros elétricos já chegam ao Brasil com preços muito inferiores aos produzidos localmente ou mesmo importados, imagine se o yuan se desvalorizar 30%. Isso seria um golpe fatal para a indústria brasileira.

É sobre isso que venho insistindo na ingenuidade da política externa brasileira, que se alinhou com China, Rússia e Irã, acreditando que a proteção desse grupo permitiria enfrentar os países ocidentais, especialmente os EUA. Como mostra a figura a seguir, a China está interessada apenas em nossos produtos essenciais, como comida. Artigos industriais podem ser esquecidos — não temos nem tecnologia nem preço para competir. Agora imagine se o yuan se desvaloriza de maneira expressiva: até os produtos agrícolas sofreriam, mesmo sendo commodities.

 



"Inteligente" mesmo foi a esposa do presidente Lula, Janja, que resolveu provocar Elon Musk, íntimo de Trump, com uma frase em inglês de baixo calão: "Fuck you". Atitude que nem de um cidadão comum seria aceitável naquele contexto, muito menos de uma primeira-dama. Só posso imaginar que tal atitude foi respaldada por uma crença de que a aliança com a China nos tornaria independentes dos EUA. Mal sabe ela que a China só visa seus próprios interesses e, se precisar desvalorizar o yuan, não se importará com os impactos no Brasil. Se não for essa a razão, só posso associar como burrice sua, o que não se pode descartar.

No post "gênios-também-falham", comentei sobre o dólar: “anotei os níveis relevantes: acima de R$ 5,82, a onda 5 azul pode se estender um pouco mais; abaixo de R$ 5,63, a chance de meu cenário se concretizar aumenta.”

 



O dólar acabou rompendo o nível de R$ 5,82, mas não se sustentou, o que mantém a opção acima ainda válida. A chance de uma queda mais profunda parece mais provável neste momento. Estou aguardando a formação de 5 ondas na janela de 1 hora para um eventual trade. A magnitude da queda ainda é indefinida, considerando duas opções de contagem de ondas. No cenário atual, dentre essas opções, poderia chegar a algo próximo de R$ 5,38 — onda IV vermelha. Porém, é preciso cautela: não vendam o dólar sem confirmação de 5 ondas e a ultrapassagem do nível de R$ 5,63.

 



O S&P500 fechou a 5.893, com alta de 0,39%; o USDBRL a R$ 5,7468; o EURUSD a € 1,0597, com alta de 0,53%; e o ouro a U$ 2.611, com alta de 1,94%.

Fique ligado!

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