Bitcoin a Reserva de (Valor?) Especulação #bitcoin #euro


Embora eu não seja fã do bitcoin, isso não significa que o despreze. Pelo contrário, eu tinha um call de alta expresso em diversos posts, sendo o último deles destacado mais adiante. Dos diversos “Trump Trades” que o mercado classificou como ativos com potencial de valorização sob a presidência dele, o bitcoin foi, sem dúvida, o que mais subiu.

Resumi os principais motivos dessa alta e os riscos, coletando informações de várias fontes. A Gavekal publicou um artigo sobre o tema, destacando duas principais razões para essa valorização:

1. Ambiente Regulatório Mais Favorável: A recente eleição aponta para uma perspectiva positiva na regulamentação do setor de criptomoedas. Donald Trump mostrou-se pró-cripto e prometeu substituir o presidente da SEC, Gary Gensler, visto como um crítico da indústria. Com o Congresso e a Casa Branca possivelmente adotando uma postura mais amigável, espera-se que as barreiras regulatórias diminuam, favorecendo a demanda por criptomoedas, especialmente com os fortes fluxos em ETFs de bitcoin após a eleição.

2. Possível Criação de uma Reserva Estratégica de Bitcoin: Ainda que incerta, há uma proposta para criar uma reserva estratégica de bitcoin. Mesmo que a viabilidade seja questionável, a mera consideração dessa medida pode impulsionar a demanda por bitcoin, especialmente em um contexto de potencial desvalorização do dólar e alta inflação.

Aaron Brown comenta na Bloomberg que o governo Trump pode ser bom para as criptomoedas, mas ruim para o bitcoin.

É fácil entender por que as vitórias republicanas são vistas como benéficas para o setor cripto. Trump se apresentou como um presidente pró-cripto, prometendo impedir que o governo federal vendesse criptomoedas que adquire (principalmente em apreensões de criminosos), além de declarar que demitiria o presidente da SEC, Gary Gensler, crítico das criptomoedas. Ele também se comprometeu a posicionar os EUA como líder na mineração de bitcoin e anunciou a criação de um conselho consultivo cripto, para que as regras fossem elaboradas por defensores do cripto e não por críticos. Na noite da eleição, ele comemorou ao lado de grandes apoiadores das criptos, incluindo Elon Musk, Robert Kennedy Jr. e Howard Lutnick.

Contudo, é importante distinguir o que pode ser bom especificamente para o bitcoin daquilo que beneficia o setor cripto em geral — e que pode, potencialmente, ser desfavorável ao bitcoin.

O Congresso já avançou em legislação pró-cripto, embora grandes projetos ainda não tenham sido aprovados em ambas as casas. A Câmara aprovou um projeto significativo, o Financial Innovation and Technology for the 21st Century Act, e uma resolução para invalidar algumas normas anti-cripto da SEC, ambos com apoio substancial dos democratas. Porém, nenhum foi votado no Senado e ambos enfrentaram oposição da Casa Branca. Outros projetos de lei pró-cripto também avançaram em comissões na Câmara, mas não chegaram ao plenário, e no Senado, foi introduzido um projeto para estabelecer uma reserva estratégica federal de bitcoin.

Para aqueles que trabalham no setor cripto ou o acompanham de perto, o potencial de uma legislação favorável é promissor para fomentar projetos reais que agreguem valor econômico. Para quem tem menos interesse na tecnologia, o foco geralmente recai sobre os movimentos de preço do bitcoin.

O bitcoin foi projetado para ser uma moeda de transação e reserva de valor, mas já foi superado em ambas as funções por criptos mais eficientes e por inovações financeiras tradicionais, como stablecoins com preços atrelados a moedas tradicionais, e outras moedas digitais, como o Ripple, que são mais baratas, rápidas e fáceis de usar. Em vez de ser marginalizado, o bitcoin emergiu como um elo entre o sistema financeiro tradicional e o mercado cripto, acumulando valor.

Esse fenômeno lembra o IPO da Netscape Communications Corp., que é creditado como catalisador do boom da internet. Na época, muitos investidores estavam animados com o potencial da internet, mas não havia meios públicos de investir no setor. Quando a Netscape abriu o capital, a demanda disparou, não porque todos os lucros da internet seriam colhidos por navegadores, mas porque era a única forma de apostar no setor. De forma semelhante, o bitcoin foi, durante grande parte da história das criptos, o meio mais acessível para apostar no setor.

A Netscape foi fundamental no desenvolvimento da internet e gerou lucros todos os trimestres até o final de 1997, antes de se fundir com a America Online Inc. Contudo, do ponto de vista de um investidor, os trilhões de dólares gerados pela internet não se refletiram na Netscape. O bitcoin será extremamente influente no desenvolvimento do setor cripto, mas pode não capturar todo o valor econômico que essa evolução trará.

Com isso em mente, as medidas mais impactantes em discussão são aquelas que ampliarão a conexão entre o sistema financeiro tradicional e a economia cripto — eliminando a necessidade de uma moeda intermediária — e melhorarão a segurança jurídica das stablecoins e das criptos de transação, tornando-as reservas de valor mais atraentes que o bitcoin.

Grande parte do apoio federal aos criptoativos nos EUA provavelmente contornará o bitcoin, facilitando o uso de stablecoins para transações e incentivando investimentos em organizações autônomas descentralizadas (DAOs) que visem valor econômico real. As DAOs desfazem as linhas entre proprietários, funcionários e clientes e — se barreiras jurídicas forem eliminadas e incertezas resolvidas — podem representar uma forma de organização superior às corporações tradicionais. Outros projetos cripto suportam contratos inteligentes, como o Ethereum, ou negociam valores que nunca foram capturados pela economia tradicional, como o Cardano. Investir nesses ativos geralmente implica converter dólares ou outras moedas em bitcoin, e depois bitcoin em outros criptoativos. Simplificar esse processo pode reduzir a demanda por bitcoin e desvincular seu valor do sucesso geral do setor.

No curto prazo, se o governo federal adquirir mais bitcoin e grandes instituições financeiras se sentirem seguras para comprá-lo para seus fundos e clientes, a demanda deve continuar impulsionando os preços. Contudo, a longo prazo, se investidores começarem a construir portfólios diversificados em DAOs e a usar stablecoins — ou, quem sabe, moedas digitais de bancos centrais — para transações, é possível que o bitcoin perca sua justificativa econômica.

Como entusiasta das criptos, acredito fortemente no crescimento contínuo do setor como uma área econômica, mas não tenho confiança de que o bitcoin — ou qualquer criptomoeda atual — capturará esse crescimento; da mesma forma que em 1995 eu estava otimista sobre a internet, mas neutro sobre a Netscape como geradora de lucros para investidores. Uma administração pró-cripto nos EUA é um bom sinal, mas pode ser precipitado investir no bitcoin em máximas históricas, sem uma narrativa sólida que justifique sua valorização. Se você evitou o setor até agora, talvez seja a hora de aprender mais sobre ele para avaliar projetos reais. Se já especulou em bitcoin e outras criptos populares, pode valer a pena focar mais no valor econômico do que no entusiasmo dos investidores.

Sem dúvida, o bitcoin se desviou de sua característica inicial de ser um porto seguro contra a desvalorização, especialmente do dólar, ou da perda de credibilidade devido ao crescente endividamento do governo. Mas não passou no teste principal quando a inflação subiu após a pandemia, nem tampouco como moeda de troca, devido à sua elevada volatilidade. Além disso, transações em bitcoin são caras e demoradas. Os argumentos acima apontam para outros caminhos, confesso que de difícil compreensão. E segundo Aaron, existem (ou surgirão) novas criptos mais adequadas a esses usos, o que poderia tornar o bitcoin “useless”.

Complicado saber o valor atual (ou futuro) do bitcoin? Vamos usar a análise técnica. Este ano, venho buscando um ponto de mínima para o bitcoin no post “verba-de-marketing” onde aventei essa hipótese que acabou se confirmando mais tarde. Em publicações esporádicas, no post “adrenalina-no-touro”, fiz os seguintes comentários: “Ainda não é possível afirmar se essa onda (4) vermelha terminou, mas, se for o caso, o objetivo de alta estaria entre U$ 92,1 mil e U$ 99,2 mil.”

 



Fiz algumas alterações na contagem anterior. Nessa nova configuração, o bitcoin ainda teria espaço para subir até U$ 99,2 mil (~10%) / U$ 104,8 mil (~13%), terminando a onda III azul. Em seguida, uma queda prolongada que duraria entre 1 e 2 anos, levando o bitcoin de volta ao nível de U$ 45 mil na onda IV azul.

 



No post “sempre-e-preciso-achar-alguma-coisa”, comentei sobre o euro: “O euro acabou retraindo um pouco mais, atingindo a mínima de €1,076, e a partir daí iniciou uma recuperação. Se a onda (i) vermelha tiver terminado, recomendaríamos uma venda entre €1,093 / €1,098 / €1,103.”

 



 A venda foi executada em 05/11 no nível mínimo de €1,093, com stoploss em €1,103. Desde então, uma queda acentuada ocorreu, com análises em intervalos menores indicando que o objetivo apontado no gráfico abaixo em €1,034 / €1,032 poderá ser ultrapassado.

 



— David, quer nos deixar curiosos, até onde pode ir?

Ultrapassando a região do “Pântano”, há atração para o nível de € 0,96. E digo mais: se não parar por aí, pode atingir as mínimas históricas. Mas ainda é cedo para Champagne; muita coisa precisa acontecer. O que posso dizer é que, para esse cenário se materializar, a moeda única precisa continuar caindo sem trégua daqui em diante.

O S&P500 fechou a 5.949, com queda de 0,61%; o USDBRL a R$ 5,7962, com queda de 0,17%; o EURUSD a € 1,0525, com queda de 0,37%; e o ouro a U$ 2.569, com queda de 0,18%.

Fique ligado!


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