A história se repete #MicroStrategy #MSTR #Nasdaq100 #NVDA
Ele passou pelo time de segurança da OpenAI antes de fundar o fundo que leva o nome do ensaio que o projetou ao estrelato do mercado de inteligência artificial. O detalhe que mais me chama atenção: antes de abrir o fundo há cerca de dois anos, ele não tinha nenhuma experiência prévia em investimentos.
O resultado dessa inexperiência combinada com alavancagem agressiva já é conhecido. O patrimônio do fundo saltou para US$ 45 bilhões no início de julho, embalado por retornos de tirar o fôlego. Bastaram poucas semanas de reversão para que esse mesmo patrimônio despencasse para algo em torno de US$ 10 bilhões.
Parte dessa reviravolta tem endereço certo: a bolsa de Seul. O Kospi, principal índice sul-coreano, registrou nos últimos dias oscilações diárias que romperam a casa dos 10% para cima e para baixo — um comportamento fora de qualquer padrão histórico da última década e meia, coincidindo com o tombo do IPO da SK Hynix, uma das maiores posições do fundo.
Mesmo assim, o fundo ainda acumula alta de cerca de 80% no ano — prova de como os números conseguem parecer bons e assustadores ao mesmo tempo, dependendo da janela de tempo escolhida. Em carta a investidores, Aschenbrenner reconheceu o tombo com uma frase direta: nós os decepcionamos este mês.
Eu sempre me pergunto quem estaria disposto a colocar dinheiro num fundo desse tipo, comandado por um gestor sem histórico e montado sobre uma tese extremamente concentrada em infraestrutura de inteligência artificial. Mas a ganância é um traço que supera a razão quando o assunto é dinheiro. O mercado financeiro está cheio de episódios que provam isso, repetidamente, ao longo da história.
A boa notícia, se é que existe uma nessa história, é que a própria inteligência artificial pode se tornar uma aliada valiosa do investidor — ironicamente. Uma coluna recente na Bloomberg argumenta que os chatbots de inteligência artificial já são conselheiros financeiros excelentes e de graça. Eles entregam o conselho mais óbvio e mais eficaz que existe: poupar, investir em fundos indexados de baixo custo, ignorar manchetes e manter hábitos financeiros saudáveis.
Não é à toa que bancos como Citigroup, HSBC e Bank of America já correm para lançar seus próprios assistentes de inteligência artificial, temendo perder clientes de gestão de patrimônio para esse tipo de conselho gratuito. O setor inteiro deve se reinventar mais uma vez, deslocando sua fonte de receita para negociação especulativa e entretenimento financeiro.
Nesse cenário todo, meu candidato predileto de questionamento continua sendo Michael Saylor. Depois de um semestre horrível, ele agora tenta consertar sua empresa, a Strategy, segundo reportagem da Bloomberg.
Os números do trimestre são pesados: prejuízo de US$ 8,22 bilhões, puxado pela queda de 14% do bitcoin no período e de mais de 45% em doze meses. Diante disso, Saylor abandonou parte do dogma maximalista de comprar e nunca vender.
Ele chegou a se desfazer de uma fração simbólica da posição em bitcoin no início de junho e, semanas depois, criou um novo modelo de financiamento que dá à empresa poder mais amplo para vender bitcoin, recomprar títulos com desconto e, acima de tudo, preservar liquidez. A reserva em dólar já soma US$ 3,75 bilhões, o suficiente para cobrir pouco mais de dois anos de dividendos e juros das preferenciais.
É importante fazer uma ressalva: a alavancagem de Saylor é bem menor que a de Leopold, o que lhe garante mais fôlego para sobreviver a um período de estresse. Mas o episódio do Situational Awareness deveria servir de alerta para quem acha que isso não pode acontecer com a Strategy.
Em algum momento de estresse mais agudo, a empresa pode precisar recorrer à liquidez do próprio estoque de bitcoin — e aí não vai existir uma Citadel para salvá-la. A Citadel só socorreu o fundo de Leopold porque tinha interesse na carteira de ações que ele guardava, não em bitcoin, que cá entre nós já provou, nesse episódio e em tantos outros, que não serve como colateral de crédito quando a maré vira.
Para quem ainda acha Saylor um gênio incontestável — e reconheço que encontro gente inteligente nas minhas redes sociais que pensa assim — vale revisitar o que uma inteligência artificial me respondeu recentemente. Perguntei para qual perfil de investidor as ações da Strategy seriam adequadas, e a resposta foi direta: só para o investidor altamente sofisticado, disposto a aceitar a perda total do capital como cenário central, não de cauda. Presumo que muito poucos dos meus leitores estariam dispostos a perder 100% do que investiram, por menor que seja o valor.
A ação da Strategy caiu 75% no último ano, contra uma queda de 45% do bitcoin no mesmo período — mesmo assim, o papel segue acumulando alta de mais de 600% desde que Saylor começou a comprar a criptomoeda. Essa é a assimetria perigosa desse tipo de aposta: os números de longo prazo escondem o tamanho do estrago que pode acontecer no meio do caminho.
A história, como sempre, se repete. Muda o protagonista, muda o ativo, muda a narrativa que justifica a alavancagem — mas o final costuma ser parecido. O que eu posso fazer é continuar alertando meus leitores sobre o risco: quem quiser jogar esse jogo que jogue, mas que jogue sabendo exatamente o tipo da aposta.
Análise Técnica
No post "Aagora-não-adianta-chorarr" fiz os seguintes comentários sobre a Nasdaq 100:
Efetuando-se uma melhor configuração para a correção da onda 2 laranja, chega-se a dois objetivos: 27.823 (−2,25%) ou 27.300 (−4%). Como se trata da formação de uma correção, os objetivos podem ir variando conforme os preços vão evoluindo.
Tenho observado que a Nvidia tem se comportado de forma diferente da Nasdaq 100 — em alguns momentos pior, em outros melhor — e foi esse último caso que ocorreu nesta semana. Nada dramático, nem que gere algum tipo de preocupação: apenas uma observação.
Fique ligado!
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