Don't fight the Fed #OURO #GOLD #EURUSD


Ontem o mercado se comportou como um adolescente contrariado diante da mesada negada. O Federal Reserve manteve os juros no intervalo de 3,50% a 3,75%, decisão que já estava precificada e não deveria surpreender ninguém. O detalhe que chamou atenção foi a votação: três membros do comitê, Kashkari, Hammack e Logan, dissentiram a favor de uma alta, o maior número de divergências simultâneas em muitos anos. Isso sozinho já é sintoma de um Fed rachado internamente, algo raro nas últimas três décadas.




O mercado reagiu torcendo a curva de juros: as taxas longas subiram enquanto as curtas recuaram, movimento técnico conhecido como "bear steepening". Traduzindo para o bolso, é como se o mercado dissesse ao Fed: você não sobe agora, mas vai se arrepender depois. O rendimento do título de 30 anos bateu a maior marca em quase duas décadas, acima de 5,20%, e a probabilidade embutida de uma alta em setembro recuou de 70% para 63% logo após a entrevista coletiva.



Até aqui, nada que um investidor experiente não tivesse visto antes. O que pesou foi a entrevista em si. Warsh teve 45 minutos para explicar as divergências, justificar a decisão de ignorá-las e reforçar suas credenciais mais duras contra a inflação. Preferiu não fazer nada disso. Repetiu que os mercados devem aprender a "jogar a bola, não o juiz", como se os preços de mercado, e não a comunicação do próprio Fed, devessem guiar as expectativas dali para frente.

O problema, como bem observou um colunista do Wall Street Journal, é que o Fed não é um árbitro neutro assistindo à partida de fora. Ele é o jogador mais importante em campo. Quando o presidente do banco central se recusa a explicar sua função de reação, ele não devolve responsabilidade ao mercado, apenas cria um vácuo de informação, e esse vácuo tende a se transformar em volatilidade para quem estiver posicionado do lado errado.

Há também um problema estrutural nessas entrevistas, apontado por analistas que acompanham o assunto de perto: o formato de perguntas e respostas simplesmente não funciona mais quando o presidente do Fed decide não sinalizar nada sobre o futuro. Repórteres perguntam de oito formas diferentes sobre o mesmo tema e recebem a mesma recusa educada oito vezes. O resultado é uma sala cheia de perguntas relevantes e uma entrevista que não produz quase nenhuma informação nova.

Essa postura opaca lembra Greenspan, de quem Warsh já se declarou discípulo. Reconheço o roteiro porque vivi essa era de perto. Não foram poucas as vezes que o Fed surpreendeu o mercado com esse verniz de mistério proposital, e não foram poucas também as vezes em que apostar contra a autoridade monetária custou caro para quem tentou. A frase que ficou marcada para mim desde aquela época foi simples e definitiva: não brigue com o Fed. A maioria dos operadores de hoje não passou por aquela escola, então vale o alerta: ir contra um banco central que se recusa a dar pistas tende a sair caro, sobretudo quando a volatilidade começa a subir como está subindo agora.

Nem todo mundo lê o episódio como uma crise de credibilidade. Uma leitura contrária argumenta que o mercado apenas corrigiu um mal-entendido criado na reunião de junho, quando um tom equivocadamente hawkish elevou expectativas de forma exagerada. Sob essa ótica, a alta dos juros longos de ontem seria só um ajuste técnico, sem relação direta com desconfiança na condução da política monetária, e o dólar mais fraco decorreria apenas do diferencial de juros de curto prazo, não de um julgamento sobre a competência do Fed. É uma visão que merece ser levada em conta, mas não muda o ponto central: o Fed abriu mão de um instrumento importante, a orientação futura, e isso por si só já eleva o custo de qualquer aposta direcional daqui para frente.

Enquanto isso, o pano de fundo corporativo não ajudou a acalmar os ânimos. Os resultados de duas teracórnios ligadas à inteligência artificial, Microsoft e Meta, dividiram o mercado na mesma noite: uma cortou a previsão de investimento e disparou, a outra elevou o piso do capex anual e despencou, mesmo alegando que a demanda por capacidade computacional segue sem limite à vista. O apetite, ou a fadiga, por gastos bilionários em infraestrutura de inteligência artificial voltou a dividir opiniões justamente no momento em que o mercado de juros também está confuso sobre os próprios passos do Fed.




Não custa lembrar que, quando um novo presidente assume o comando do Fed, o mercado sempre testa os limites. Powell testou com o "piloto automático" do balanço patrimonial. Bernanke errou ao comentar bastidores fora de registro. Agora é Warsh quem acredita que pode evitar explicações sobre porque não subiu os juros com a inflação ainda acima da meta. Os antecessores aprenderam, cada um à sua maneira. Warsh terá de aprender também, e o mercado, pelo visto, não pretende ser paciente enquanto isso não acontece.

A lição prática para quem investe é dupla. Primeiro, prepare-se para mais volatilidade: um Fed que não assume compromisso com o caminho futuro dos juros devolve ao mercado a tarefa de precificar cada dado sozinho, e isso tende a produzir movimentos mais bruscos, não mais suaves. Segundo, resista à tentação de apostar contra a autoridade monetária só porque ela está sendo enigmática. A opacidade de Warsh pode ser desconfortável, mas ainda não significa fraqueza, significa, por ora, apenas um teste de paciência. Como sempre nesse jogo, quem apostar contra o Fed sem estar plenamente convencido corre o risco de aprender, mais uma vez, a lição mais cara do mercado.


Análise Técnica

No post "liquidação-de-tokens" fiz os seguintes comentários sobre o ouro:

Surgiu uma dúvida por conta dos últimos movimentos. A questão é se a onda 5 azul terminou e, por consequência, toda a sequência de baixa, ou se a onda 4 azul está em andamento. Tracei no gráfico abaixo as condicionantes a serem seguidas:

• Acima de US$ 4.200 — observar se 5 ondas são formadas e preparar para comprar na retração.

• Abaixo de US$ 3.945 — onda 5 azul em andamento.

No meio desse intervalo, nem pensar em fazer alguma coisa!



Sobre as dúvidas apontadas acima, está parecendo que a onda 4 azul ainda está em formação e com características de um triângulo, reforçando os objetivos demarcados na elipse amarela. Mas, como sempre enfatizo, triângulos só se sabe a posteriori, e permanecem ainda os limites acima em conjunto com a recomendação.



Em relação ao euro, comentei:

"Não deu sinal de alta; pelo contrário, observado numa janela de duas horas, é uma total bagunça de idas e vindas sem que se observe nenhuma tendência mais clara. Continuo com as salvaguardas de € 1,15 como um sinal para se observar a conclusão de 5 ondas, ou abaixo de € 1,1324, onde a opção de queda ganha tração".

Na semana passada, acabei postando o gráfico do ouro; como não consigo recuperá-lo, peço desculpas aos leitores. Ao observar o gráfico de longo prazo da moeda única, observa-se uma sucessão de altas e baixas sempre completadas em três ondas, o que a deixa sem uma visão de mais longo prazo. Sendo assim, vamos ao curto prazo.

Nas últimas seis semanas, observa-se uma hesitação entre € 1,1310 e € 1,1500; enquanto não houver um rompimento para um dos lados, é perda de tempo — e dinheiro — tentar adivinhar para onde vai. O euro é um espelho do experimento sem sentido adotado pelos países europeus!



O S&P 500 fechou a 7.437, com alta de 1,65%; o USDBRL a R$ 5,0779, com queda de 0,99%; o EURUSD a € 1,1530, com alta de 0,54% rompendo a barreira mencionada hoje; e o ouro a U$ 4.114, com alta de 1,18%.

Fique ligado!

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