Sinuca de bico #nasdaq100 #NVDA
É exatamente nessa posição que vejo Kevin Warsh, a poucos dias da reunião do Fed marcada para 27 e 28 de outubro.
O mercado já fez sua aposta, e com convicção. Pela ferramenta FedWatch, da CME, a probabilidade de manutenção dos juros está em 84%. A expectativa é de uma alta de 0,25 ponto em dezembro e de algo próximo de 0,50 ponto ao longo dos próximos seis meses. Robin Brooks chama atenção para o grau de tranquilidade: antes da reunião de 29 de julho, os contratos futuros embutiam dez pontos-base de alta, mesmo depois de um núcleo de inflação estável; agora, depois de um índice claramente quente, embutem apenas quatro.
O problema é que os números contam outra história. Os preços ao consumidor subiram 0,6% em setembro, o ritmo mais rápido em cinco meses, e a inflação em doze meses passou de 3,4% para 3,7%. O núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou de 2,4% para 2,6%. A energia mais cara, consequência do conflito com o Irã, já contamina os transportes; os atacadistas repassam custos para recompor margens espremidas pelas tarifas; e os serviços, com alta de 3,2%, mostram que o problema não se limita aos setores atingidos pela guerra.
Há mais combustível. Os preços de importação subiram 8,1% em doze meses, o maior avanço desde julho de 2022. Os vindos dos países industrializados da Ásia saltaram 12,5%, puxados pela demanda por semicondutores da Coreia do Sul e de Taiwan. A inteligência artificial pode até trazer produtividade e preços menores lá na frente, mas, por enquanto, é inflacionária.
E a atividade não dá sinais de cansaço. O modelo GDPNow, do Fed de Atlanta, estima crescimento anualizado de 3,5% no terceiro trimestre, com consumo avançando 3,8% e investimento empresarial acima de 11%. As vendas no varejo medidas pela Redbook sobem 9,7% em relação ao ano anterior. O emprego privado, segundo a ADP, cresce cerca de 74 mil vagas por mês, o suficiente para manter o consumidor gastando.
Torsten Slok, da Apollo, fecha o raciocínio com uma pesquisa do Fed de Richmond: no terceiro trimestre, apenas 19% das empresas disseram que o custo ou o acesso ao crédito limitam seus planos de investimento. Os outros 81% não sentem restrição alguma. Em bom português, as empresas americanas estão dizendo que a política monetária não aperta ninguém.
[ "Businesses say that monetary policy is not restrictive" — do artigo "Monetary Policy Is Not Restrictive" (Apollo, Torsten Slok)]O próprio Warsh concorda. Depois da alta unânime de setembro, declarou que teria dificuldade em descrever as condições financeiras como restritivas e tratou o movimento como a retirada de uma dose de estímulo. Ed Yardeni estima a taxa neutra entre 4,25% e 4,50%, enquanto os juros básicos estão em torno de 3,88%. O título de dois anos do Tesouro rende cerca de 0,90 ponto acima da taxa básica, sinal de que a renda fixa já conta com novos apertos.
Então, por que a aposta na pausa? A resposta está menos nos dados e mais nas palavras. Desde sua indicação, Warsh repete que não quer sinalizar o que pretende fazer; quer acabar com a orientação futura que virou praxe no banco central americano. Na reunião do FMI e do Banco Mundial em Bangkok, no dia 16, recusou-se a dar qualquer pista. Seus colegas, porém, não seguiram a cartilha. John Williams, presidente do Fed de Nova York, e o vice-presidente Philip Jefferson, que formam com ele a chamada troika, indicaram que não há pressa para subir em outubro. Christopher Waller lembrou que as altas não precisam ocorrer em reuniões consecutivas, e Michelle Bowman também defende paciência. O mercado embarcou.
Bill Dudley, que integrou essa mesma troika entre 2009 e 2018, conta que fazia questão de alinhar seus comentários às preferências do presidente e ao que o comitê de fato faria. Esse alinhamento parece ter se perdido.
Aqui está a sinuca. Se Warsh seguir o que os colegas disseram, deixa o mercado feliz, mas desmente a própria tese de que o Fed deve se guiar pelos dados e não por declarações. Se optar pelos dados, terá argumentos de sobra, mas machucará um mercado que se acomodou na ideia de que nada vai acontecer. Yardeni chega a sugerir que uma alta inesperada seria a forma de recuperar o controle: mostraria que as falas dos demais membros já não pesam como antes e devolveria ao presidente um sinal mais limpo vindo dos títulos públicos.
E você, o que acha que ele vai fazer? Antes de responder, considere mais um agravante. No dia 3 de novembro há eleições para o Congresso, e subir juros às vésperas da votação não deixará Trump nada satisfeito, justamente quando ele está prestes a perder o controle das duas casas. O editorial da Bloomberg admite que Warsh e seus colegas prefeririam não provocar a Casa Branca. Brooks enxerga um único cenário para uma alta agora: um acordo de paz surpresa com o Irã, que derrubaria o petróleo e afrouxaria demais as condições financeiras. Ele mesmo atribui probabilidade zero a isso antes da eleição.
Por esse ângulo, a branca está duplamente encostada no bico: de um lado, os dados; do outro, a política.
Pesando tudo, acredito que Warsh não vai subir os juros na semana que vem. Mas espero que deixe claro, nas entrelinhas ou nem tanto, que dezembro está logo ali. O índice de preços de consumo pessoal, o preferido do Fed, sai no dia 29, um dia depois da decisão, e os preços no atacado indicam que virá acima do esperado. Pode ser a tacada de tabela de que ele precisa.
Análise Técnica
No post "queima-de-estoque-global", fiz os seguintes comentários sobre a Nasdaq 100:
"O mercado entrou na área que denominei Média Correção e atingiu seu limite. Ontem, acabou se recuperando ao longo do dia. Por enquanto, nada a fazer, pois a onda ii laranja pode ser deslocada para a direita, como mostra o símbolo dessa cor."
"A Nvidia acabou recuando da mesma forma que a Nasdaq 100 e ficou muito próxima de eliminar a contagem i – ii laranja, no nível de US$ 208,93. Se isso ocorrer, teremos de deslocar a onda 2 azul para a direita, conforme mostra o símbolo da mesma cor."






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