Pandas não assinam acordos #nasdaq100 #NVDA

 


Coloque numa mesma mesa corintianos e palmeirenses com a missão de firmar um acordo e não espere grande coisa. O máximo que se arranca dali são perfumarias, ou então compromissos que interessam a apenas um dos lados. Foi essa a impressão que tive ao acompanhar o encontro entre Xi Jinping e Donald Trump em Washington.

Pompa não faltou. Trump quebrou o protocolo e foi receber o visitante na pista da Base Aérea de Andrews, gesto que um presidente americano não fazia havia seis décadas, excluídas as visitas do papa. Houve tapete vermelho, sobrevoo de bombardeiros, revista com cerca de 480 militares, jantar à luz de velas e uma estátua de águia-careca como presente. Xi retribuiu com dois pandas para o zoológico de Atlanta.



No jantar, Trump garantiu que os dois "nunca se deram tão bem". Mostrou ao convidado o novo heliponto de granito, levou-o para dentro do helicóptero presidencial e ainda zombou de Joe Biden diante de um chefe de Estado estrangeiro, apontando para a imagem de uma caneta automática pendurada no lugar do retrato do antecessor. A única frustração, ao que parece, foi o salão de baile não ter ficado pronto a tempo.

Por trás do cenário, o saldo foi magro. A notícia mais relevante saiu antes mesmo de o encontro começar: o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou, praticamente no pouso do avião chinês, a prorrogação da trégua comercial por dois meses, de 10 de novembro para 10 de janeiro. Pequim queria dois anos. É o clássico empurrar com a barriga, deixando aos burocratas um assunto incômodo que nenhum dos dois quer enfrentar agora.

O mercado leu o recado. As ações chinesas negociadas em Hong Kong recuaram, sinal de que os investidores não enxergaram avanço. Outro indício da baixa expectativa: Xi não trouxe um único empresário na comitiva, contraste gritante com a caravana de executivos que acompanhou Trump a Pequim em maio.

Observando à distância, e sem a pretensão de ser um grande entendido em geopolítica, sempre achei que o objetivo central da China era outro: arrancar de Washington um aceno de que os americanos não vão interferir na questão de Taiwan. E foi exatamente aí que Xi jogou pesado. Na reunião reservada, segundo a agência oficial Xinhua, pediu que os EUA "se oponham" à independência da ilha, linguagem bem mais dura do que a posição tradicional americana de apenas "não apoiar" essa independência.

O raciocínio de Pequim tem sua lógica. Os americanos raptaram Nicolás Maduro na Venezuela e atacaram o Irã, dois aliados chineses, e a China não foi além de continuar comprando petróleo iraniano e, segundo o Wall Street Journal, enviar componentes usados em drones e mísseis. Se Pequim não entrou no mérito desses episódios, por que os EUA teriam de se intrometer no quintal chinês? Não por acaso, Trump ainda não liberou um pacote de US$ 14 bilhões em armas para Taiwan, apesar da pressão do Congresso, inclusive de republicanos.

Xi também voltou a um tema que lhe é caro: a chamada armadilha de Tucídides, a teoria segundo a qual a potência dominante e a desafiante acabam inevitavelmente em guerra. Disse que ela pode ser superada. Soa bem no discurso, mas é conveniente: a narrativa permite a Pequim transferir aos americanos a culpa pelo aumento das tensões.

O outro tema quente foi a inteligência artificial. Nas últimas semanas, disparou a preocupação de que a tecnologia escape do controle humano, mas nenhum dos dois líderes pareceu perder o sono com isso. Xi afirmou que os dois países têm capacidade e responsabilidade para manter a IA sob controle humano; Trump prefere deixar tudo como está, com cada lado disputando a supremacia. A ideia de Bessent de criar uma linha direta para alertas de segurança nacional nem sequer ficou clara, e nenhum mecanismo novo saiu da reunião.

Não é por acaso. Essa é a corrida armamentista do momento, e quem liderar terá uma vantagem enorme. Ninguém amarra as próprias mãos no meio da prova. Basta olhar a mesa de Xi no jantar: ao seu lado estava Jensen Huang, da Nvidia, cujos chips mais avançados estão proibidos de ser exportados para a China, além de Tim Cook, da Apple, e Lisa Su, da AMD.



Executivos de tecnologia no jantar de Estado na Casa Branca — do artigo "Five Takeaways From Trump's Washington Summit With Xi" (Wall Street Journal)]


Nem todos aplaudiram o espetáculo. A seis semanas das eleições de meio de mandato, senadores republicanos reclamaram abertamente. John Kennedy chamou Xi de "réptil", e Thom Tillis lembrou que Trump fez campanha com uma plataforma contra a China. Jonathan Czin, ex-diretor para a China no Conselho de Segurança Nacional, resumiu bem: não está claro o que Trump obtém em troca de tantos gestos.

Por isso mesmo, alguma coisa terá de ser vendida como vitória, caso contrário Trump será criticado até a alma. Ele já classificou o encontro de "magnífico" e reclamou que as redes de televisão não o transmitiram ao vivo. Haverá a soja, com o compromisso chinês de comprar 25 milhões de toneladas, embora Pequim esteja atrasada em cerca de US$ 17 bilhões em outras compras agrícolas, e haverá novas oportunidades de foto na reunião da APEC, em novembro, e no G20. Tudo será apresentado como inédito e histórico; no fundo, terá pouca importância.

E assim os dois países seguirão no mesmo caminho: os EUA tentando sufocar a economia chinesa limitando suas exportações, e os chineses avançando na IA com modelos baratos que ameaçam os mercados de capitais. Entre competidores do mesmo peso, não existe acordo que seja bom para os dois. Existe conflito de interesses.


Análise Técnica

No post "você-pode-esperar-100-anos", fiz os seguintes comentários sobre a Nasdaq100:

"Em relação à Nasdaq100, continua sem que uma sugestão de trade surgisse. Fiz um pequeno ajuste na onda II azul e no limite de queda que, embora o anterior tenha sido tocado, teve o fechamento acima de 28.875. Estamos aguardando — será que vou ter que esperar setembro terminar?"



A Nasdaq100 rompeu o nível apontado no gráfico acima e ficou próxima de ultrapassar a máxima histórica (ATH), até que surgiu o estresse no mercado de bonds. Mas nada de grave ocorreu, e pode ser que a bolsa esteja tomando fôlego para subir. Por sinal, as ações de tecnologia estão recuperando parte do terreno perdido em relação ao S&P 500.

A retração que ocorreu esta semana pode continuar por mais alguns dias e não deveria ultrapassar a área delimitada no gráfico como "stop", embora possa ir até 28.756; porém, pode também subir na sequência. Fiquem atentos a uma eventual sugestão de trade.



Em relação à Nvidia, comentei:

"O CEO da Nvidia anunciou que sua empresa vai vender o dobro de chips no próximo ano, um crescimento sem trégua. Em relação aos preços, não houve nada de expressivo, apenas uma recuperação durante a semana. Nada a adicionar."



O mercado perdeu momentaneamente o interesse pela Nvidia, focando mais em fabricantes de memória como a Micron, que estão cobrando o preço que querem, dadas a elevada demanda e a escassez. O resultado é que a Nvidia continua entregando resultados estelares e seu P/L está no nível mais baixo dos últimos anos. Como comentou seu CEO, Jensen Huang: "A Nvidia é uma empresa de crescimento com performance de uma empresa de valor". Mas, como dinheiro não leva desaforo, lucro também não, e em algum momento isso vai se alterar.

Ficamos aguardando o rompimento da máxima histórica.



O gráfico a seguir mostra o desempenho de jovens de 15 anos em matemática, leitura e ciências e, como se observa, está ocorrendo uma queda expressiva desde 2015, especialmente em matemática e leitura.



"Trends in performance over time for 15yr olds in science, reading and mathematics", do artigo "DB CoTD: The Learning Power of PISA" (Deutsche Bank)]


Segundo o Deutsche Bank, com base no último estudo PISA da OCDE, os alunos de 15 anos das economias desenvolvidas estão hoje num nível que, uma década atrás, seria associado a estudantes até um ano e meio mais novos. Desde 2015, as notas médias caíram 27 pontos em matemática, 31 em leitura e 11 em ciências — e a OCDE considera que 20 pontos equivalem a cerca de um ano de aprendizado. Entre as causas apontadas estão a disseminação dos celulares e das redes sociais, o menor hábito de ler por prazer, o engajamento mais fraco com a escola e os efeitos persistentes da pandemia.

O que mais chama a atenção é onde a deterioração se concentra: na capacidade de avaliar informações, de conectar ideias vindas de várias fontes e de lidar com textos longos — sinal de que a capacidade de atenção encolheu. Há, porém, um contraponto: os alunos que usam a IA com frequência como apoio ao estudo se saem melhor em ciências, enquanto os que a usam para resumir ou redigir textos pioram. A IA parece funcionar melhor como tutora do que como substituta.

Será que esse lado negativo da tecnologia irá afetar o futuro das empresas, ou a IA vai suplantar esse decréscimo? O leitor não deve se espantar com minha dúvida, e sim raciocinar se a forma de ensino deveria mudar para menos "decoreba" e mais ensinar a raciocinar e decidir, sem abrir mão do esforço, porque a IA ajuda quando funciona como tutora e atrapalha quando faz o trabalho pelo aluno. Não me critiquem à primeira vista: reflitam se o profissional que vocês contratam hoje raciocina melhor do que o de dez anos atrás. Quero frisar que não tenho certeza!

Veja o gráfico a seguir com janela de 2 horas do S&P 500



No retângulo azul se nota somente 3 ondas enquanto que no retângulo laranja se observa 5 ondas. Eu já me arrependi várias vezes de liquidar posições baseado em gráficos de curto prazo, mas não gostei do movimento. Estou liquidando a posição no S&P 500 no fechamento. Se eu me arrepdener sempre posso entrar de novo.



O S&P 500 fechou a 7.743, com alta de 0,51%; o USDBRL a R$ 5,1847, com queda de 0,15%; o EURUSD a € 1,1393, com alta de 0,12%; e o ouro a U$ 4.290, com alta de 0,39%.

Fique ligado!



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