Decidindo com o Mercado # SP500 #USDBRL

 


Será que a lógica funciona para o mercado de ações? Talvez no longo prazo, sim, mas no curto prazo, as cotações são comandadas pelas emoções — às vezes mais intensas, mas na maioria das vezes não. Se nós, como investidores, negarmos essa realidade, a vida vai ser difícil, pois, como já comentei repetidamente, a frase de Keynes é relevante: "o mercado pode ficar irracional por mais tempo do que você pode permanecer solvente".



Joe Wiggins, um adepto das finanças comportamentais, publicou em seu site, Behavioural Investment, suas ideias sobre porque é tão fácil desconsiderar essa matéria. Ele discute as dificuldades em adotar os princípios da finança comportamental, apesar de seu reconhecimento crescente. Wiggins aponta que a tecnologia e a comunicação, embora avançadas, muitas vezes incentivam comportamentos de investimento ruins. A finança comportamental desafia os investidores a evitarem comportamentos intuitivos e muitas vezes gratificantes, como reagir emocionalmente a flutuações do mercado ou seguir o comportamento de massa.

Ele identifica várias tendências comportamentais problemáticas, como a busca por gratificação imediata, o excesso de confiança, a simplificação excessiva de complexidades e a influência do comportamento social. Wiggins argumenta que mudar esses comportamentos é difícil, pois eles vão contra nossos instintos naturais e são frequentemente reforçados pela indústria financeira, que lucra com a alta rotatividade e a narrativa de curto prazo.

Do outro lado do espectro estão os parâmetros financeiros que deveriam orientar nossas decisões. John Authers reforça na Bloomberg que, racionalmente, hoje existe alternativa para seus investimentos, principalmente a renda fixa, que oferece taxas de juros bem distantes dos 0% do passado.

Uma ação, como a maioria das outras coisas, vale o que alguém está disposto a pagar por ela. Isso depende da psicologia das multidões, ganância, medo, momentum e todo tipo de coisa excitante. No entanto, em termos do que deveria determinar esse preço, dois fatores devem logicamente superar todos os outros: o fluxo de lucros que uma empresa gerará no futuro e a taxa de juros à qual esses lucros devem ser descontados. Isso torna este um momento classicamente difícil para a avaliação de mercado. As economias dos EUA e mundial estão crescendo mais rápido do que se pensava, o que torna justo esperar lucros mais altos que precisam ser descontados a uma taxa mais alta; depois de todas essas contas serem feitas, isso significa que os preços das ações deveriam subir ou cair?

Se olharmos para o nível de pagamentos em dinheiro diretos, taxas mais altas são mais problemáticas para as avaliações de ações do que em qualquer momento deste milênio. Comparando o rendimento de dividendos do S&P 500 com o rendimento dos títulos do Tesouro de dois anos, houve um retorno repentino ao antigo status quo, no qual os títulos de curto prazo rendiam mais do que as ações. Como o governo deve oferecer uma taxa atraente para financiar seus déficits, isso provavelmente não mudará por um tempo. O suporte TINA (There Is No Alternative, não há opção), que baixos rendimentos de títulos ofereceram para as avaliações de ações por uma década após a Crise Financeira Global, agora é o que Ian Harnett da Absolute Strategy Research em Londres chama de TINY — (There Is No Yield on stocks, não há taxa de rendimento nas ações):



Tomando uma medida menos grosseira, nos anos 90, as pessoas usavam o chamado "Modelo Fed", porque o presidente do banco central, Alan Greenspan, parecia confiar nele em testemunhos no congresso. Esse modelo sustentava que rendimentos mais altos em títulos exigiriam um rendimento de lucros mais alto (o inverso do múltiplo preço/lucro) das ações. O mapeamento dessas duas medidas uma contra a outra desde 1990 mostra porque esse modelo foi levado muito a sério e também por que ele caiu em desuso nas últimas duas décadas.



Agora parece que voltamos ao status quo ante, com títulos de longo prazo rendendo novamente mais do que as ações. Isso costumava ser a norma e era considerado necessário para compensar os investidores pela falta de capacidade de crescimento dos títulos. Não há nada necessariamente alarmante sobre isso. Mas para uma geração que se acostumou com um mercado de ações que rendia mais do que os títulos, tomar decisões de alocação de ativos ficou muito mais difícil.

Também se torna mais difícil explicar justamente por que as ações tiveram a recuperação que tiveram. Desde o início de 2022, quando as ações dos EUA levaram um tombo dramático durante um ano e depois voltaram completamente, é assim que se moveram os lucros por ação e o múltiplo preço/lucro prospectivo do S&P 500:



Por que as taxas não estão tendo mais efeito sobre as avaliações que as pessoas pagarão por ações? Mike Wilson, estrategista de ações dos EUA da Morgan Stanley, oferece o seguinte gráfico para mostrar como mudou a relação entre as avaliações de ações e os rendimentos e as taxas esperadas do Fed Funds. No ano passado, taxas mais altas coexistiram com múltiplos mais baixos, como a teoria sugeriria. Agora, os múltiplos mal se moveram, apesar do aumento acentuado nos rendimentos:




Isso choca intuitivamente, mas Wilson aponta que faz mais sentido olhar como as taxas estão mudando, em vez de seu nível atual. Os rendimentos dos títulos de dez anos ainda estão mais baixos do que há seis meses. Mapear a mudança de seis meses contra os múltiplos de ações dá este gráfico de dispersão, que sugere que os múltiplos, por enquanto, fazem sentido (ou pelo menos não fazem menos sentido do que faziam há seis meses):




Com o rendimento de 10 anos a 4,6%, isso sugere que taxas persistentes nesses níveis serão um problema para as ações. Isso também implica, e de forma bizarra, que as tensões aumentadas no Oriente Médio podem realmente estar ajudando o mercado de ações, pois criam incentivo para comprar títulos e, assim, reduzir seus rendimentos. Quanto à temporada de lucros, é melhor que as empresas cumpram suas expectativas. Caso contrário, suas avaliações atuais parecerão difíceis de defender.

Vamos supor que você tem pouca experiência no mercado acionário, mas gosta muito da tese de investir em ações — se esse for o seu caso, sugiro que pule o mercado brasileiro e vá direto ao internacional, e de preferência, ao americano, que é muito mais divertido e com milhares de opções — , como começar? Usar as métricas fundamentalistas ou os elementos técnicos? Recomendo ambos, porém dê mais peso a estes últimos. O sucesso vai depender mais da leitura que você fizer do mercado do que de suas próprias opiniões (ou das de terceiros). Este é o elemento mais difícil de administrar, pelos argumentos expostos por Wiggins.

A análise técnica ajuda nesse sentido, ao usar um modelo que auxilia na leitura do mercado e estabelece limites tanto de alta como de baixa. Naturalmente, essa leitura tem que estar correta, o que se deve verificar conforme o mercado evolui. O stop loss é a principal ferramenta a ser usada como salvaguarda de seu capital.

No post ** momentos-de-tensão** fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ... “Embora na semana passada a bolsa tenha ameaçado uma correção maior das que vêm acontecendo, em seguida iniciou um processo de recuperação se aproximando das máximas históricas. Com isso em vista, o objetivo traçado entre 5.320 / 5.330 parece mais factível”...



Com os acontecimentos da última semana, eu fiz uma alteração no posicionamento das ondas que poderão ser observadas a seguir. Não acredito que será de fácil visualização, pois é um assunto específico das ondas de Elliot. O leitor é testemunha que tenho estado incomodado com essa questão. Vamos ver se essa nova contagem funciona. Segundo esse critério, a onda (iv) azul poderia estar terminando ao redor de 5.034. O novo objetivo ficaria em 5.415.



Uma questão importante neste momento delicado com questões geopolíticas e uma reversão nas expectativas de redução de juros pelo Fed, é quando a visão de alta pode ser questionada. Fui estudar a possibilidade de a onda 1 verde ter terminado — é possível, mas as subdivisões ficaram bem “feias”, o que deixa essa opção na gaveta por enquanto. O movimento destacado na elipse “tem cara” e jeito de correção. Por isso, ainda trabalho como sendo uma correção e considero que ainda falta uma alta para terminar. Eu sempre gosto de colocar uma linha na areia até onde poderia se situar essa correção, e esse ponto seria 4.900.

Todo esse cuidado diz respeito ao fato de o SP500 estar terminando uma sequência maior de alta — onda 1 verde.

Mudando um pouco de assunto, ontem comentei sobre o dólar no post — **o-receio-do-petroleo** —: ... “O dólar continua subindo e ultrapassa o nível de R$ 5,22 e rompe a reta paralela. Nesse caso, é possível que a alta tão esperada que levaria o dólar à casa dos R$ 7,00”... e hoje pela manhã ele ultrapassou o limite. É provável que finalmente o movimento de alta esteja ganhando pulso.

A bolsa também caiu e se aproxima dos níveis que eu havia apontado, mas esse assunto fica para amanhã. Resumindo: o mercado entrou com o pedido de divórcio com o governo depois de que jogou para frente a redução do déficit. Melhor foi a explicação do Ministro Haddad para essa decisão: “Foi muito bom, pois assim não perdemos credibilidade ficando num objetivo que não seria cumprido”. Sr. Ministro, esse é um argumento que justificaria qualquer mudança, agora cortar despesas, que seria o correto, nem pensar!

O SP500 fechou a 5.051, com queda de 0,21%; o USDBRL a R$ 5,2688, com alta de 1,60%; o EURUSD a € 1,0620, sem variação; e o ouro a U$ 2.389, com alta de 0,30%.

Fique ligado!

Comentários

  1. Preciso de sua assessoria para decidir , pois FICAR LIGADO não irá ajudar escolher qual … caminho a seguir

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  2. a decisão pessoal é soberana não deveria depender de terceiros. Não sei qual a sua angústia!

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