A Europa vive na Torcida

 

Não estou me referindo ao futebol, pois nesse campo certamente o da Europa é o melhor do mundo. Os leitores antigos do Mosca sabem que sou apaixonado por futebol. Já faz um tempo que não comento sobre esse esporte, e cá entre nós, o que eu poderia dizer sobre o futebol brasileiro? Um lixo!

Já no campo econômico, toda vez que surge alguma possibilidade positiva para que a Europa melhore não dura muito tempo. A realidade do euro impõe diferenças, que não é possível ser bom para todos os países.

Há pouco tempo, os países aprovaram emitir um bond com garantia soberana do BCE, para ajudar os países que foram mais afetados com a pandemia. Hoje foi feito uma oferta desse tipo de papel, colocando a venda um volume de 17,0 bilhões em papéis de 10 e 20 anos, a oferta foi enorme e atingiu 233,0 bilhões!

A confiança dos investidores de que o euro continuará a se fortalecer contra o dólar está diminuindo à medida que a Europa combate o aumento dos casos de Covid-19.

As posições especulativas líquidas dos fundos de hedge, de que o euro subirá em relação ao dólar, estão em um nível mais baixo dos últimos dois meses, de acordo com dados da Commodity Futures Trading Commission. Nas últimas semanas, novos casos de Covid-19  cresceram na Europa, ultrapassando os EUA. Isso levou os governos a implementar medidas de contenção mais rigorosas que provavelmente pesarão sobre a atividade econômica.

Durante o verão, os investidores começaram a apostar que o euro se fortaleceria em relação ao dólar, depois que a União Europeia aprovou um fundo de recuperação para fornecer subsídios e empréstimos aos países membros e novos casos covid-19 caíram.

Mas um aumento nos casos e novas restrições poderia aumentar as preocupações dos investidores de que os €750 bilhões, o fundo de recuperação não será suficiente caso o aumento nos casos reduza a retomada da atividade econômica. Os fundos não serão distribuídos até o ano que vem e podem ser atrasados.

Novas medidas de bloqueio também podem causar lentidão no produto interno bruto da zona do euro. Florian Hense, economista da Berenberg, revisou sua previsão de crescimento no quarto trimestre para 1% de 2,5%, devido ao aumento do nível de casos e restrições do Covid-19.

O Reino Unido introduziu um sistema de três níveis de medidas de bloqueio para a Inglaterra e moveu Londres para o segundo nível de alerta mais alto no sábado. A França declarou estado de emergência e decretou toque de recolher noturno para a região de Paris e outras oito regiões metropolitanas em todo o país. Na semana passada, a República Tcheca fechou escolas, restaurantes e bares até o início de novembro.

Atuando contra um euro muito mais fraco em relação ao dólar, têm sido os desenvolvimentos nos EUA, que cada vez mais, apontam para pesquisas que preveem que o candidato democrata Joe Biden ganhará a presidência. Uma vitória de Biden, e o controle democrata do Congresso, poderiam inaugurar maiores estímulos fiscais e uma política externa mais previsível, ambos fatores que poderiam fazer com que o dólar enfraquecesse em relação a outras moedas.

Mas se o aumento dos casos de Covid-19 levar a mais internações e medidas mais rigorosas, o euro pode sofrer mais pressão à medida que as previsões econômicas recuam.

Outra situação interessante que ocorreu recentemente é a inversão em termos de atratividade do retorno com títulos. Até pouco tempo, era interessante a compra de um título em euros, e através de uma operação de derivativos, vender o euro futuro contra o dólar, transformando essa operação como um investimento em dólares. Esse combo rendia mais que uma operação em dólares de mesmo risco.

Agora está valendo fazer o inverso, comprar bonds americanos e efetuar uma operação de venda de dólares contra o euro, esse combo rende mais que os papeis em euros de mesmo risco.

Tudo isso foi possível graças a queda das taxas de juros em euros que se encontram no campo negativo.

Toda a retorica que ocorreu em 2010, quando alguns países ameaçaram abandonar o euro (Grécia, Itália e outros), abrandou nesses últimos anos, mas o problema continua lá. Será que nós veremos alguém grande abandonar a moeda única? A Inglaterra que tinha menos amarras por possuir sua moeda, está num caminho paralelo.

No post um-pouco-de-teoria, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ... “Na região compreendida entre 3.495 e 3.280, nada é muito conclusivo. Acima do primeiro, aumentam as chances de o movimento de alta ter ganho curso, bem como, abaixo de 3.280, a correção ainda está em andamento” ...

Desde a última publicação, fiz algumas mudanças oriundas dos preços nesse período. Isso aconteceu porque, embora o SP500 tenha ultrapassado o nível de 3.495, acabou cedendo nos dias seguintes. Nada alterou com a tendência de alta de curto prazo, desde que, o nível de 3.210 não seja rompido.

Essa pequena correção que está em andamento deveria reverter em algum ponto destacado na elipse, sendo o mais “provável” 3.334. Como não sabemos de ante mão qual será esse nível, o acompanhamento em janelas mais curtas poderá dar alguma pista. 

Caso esses níveis inferiores sejam alcançados vou estudar a possibilidade de sugerir um trade de compra.

Caso o nível de 3.209 seja ultrapassado, entramos naquele cenário mais antigo, onde se esperava uma correção maior. Não vou me ater a essa condição agora, haja visto que não é meu cenário mais provável nesse momento, mas fica o alerta.

O SP500 fechou a 3.443, com alta de 0,47%; o USDBRL a R$ 5,6089, sem variação; o EURUSD a 1,1825, com alta de 0,51%; e o ouro a U$ 1.909, com alta de 0,27%.

Fique ligado!

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