Cara ou Coroa? #S&P500
O S&P 500 encontra-se em um ponto de equilíbrio, onde as
chances de alta e de queda se equivalem. Essa percepção, conforme o Mosca já
observava, não decorre de modelos matemáticos complexos, mas de uma análise
cuidadosa dos gráficos e do contexto econômico. Desde 30 de janeiro de 2025, o
Mosca optou por não realizar trades na bolsa americana, uma decisão que se
revelou prudente ao evitar a queda acentuada de abril. Com o VIX indicando
volatilidade acima da média, a incerteza é o principal elemento a guiar o
mercado.
Volatilidade, muitas vezes confundida com risco, é apenas um
indicador de variações amplas nos preços. Nir Kaissar, em sua análise na
Bloomberg, esclarece que o VIX, frequentemente chamado de “índice do medo”, não
prevê quedas, mas sim movimentos significativos, sejam positivos ou negativos.
Em abril, após o anúncio de tarifas pelo governo Trump, o VIX alcançou 52, e o
mercado, após uma queda, recuperou-se com ganhos de 13% até maio. Para o Mosca,
risco é a probabilidade de perda permanente, não a oscilação de preços, e em um
mercado de tendência de alta de longo prazo, apostar contra essa direção exige
cautela.
A recente recuperação, embora expressiva, não sinaliza
estabilidade. Goldman Sachs aponta que rallies em mercados de baixa são comuns,
com ganhos médios de 14% em 44 dias desde 1980. O avanço de 18% desde o fundo
de 7 de abril segue esse padrão, mas a ausência de convicção de longo prazo
entre investidores mantém o ambiente instável. A incerteza, impulsionada por
notícias sobre tarifas e condições macroeconômicas, domina as decisões. Peter
Oppenheimer, da Goldman, observa que as valuations atuais limitam o potencial
de alta, enquanto o risco de queda depende da resolução rápida das tarifas. O
Mosca vê o mercado em um momento crítico, onde cada decisão deve ser bem
calculada.
A abordagem do Mosca, que evita posições contra tendências
de longo prazo, reflete disciplina. A saída de posições três semanas antes da
queda de abril foi resultado de prudência, não de acaso. Com o VIX em 24 –
acima da média histórica de 19 –, o mercado sugere mais oscilações. Executivos
corporativos, segundo a Bloomberg, relatam dificuldades em planejar devido às
incertezas tarifárias. Se as políticas de Trump levarem a acordos que favoreçam
as empresas americanas, o S&P 500 pode ganhar impulso. Caso contrário, uma
guerra comercial prolongada pode elevar custos e pressionar os preços das
ações. O Mosca mantém uma postura observadora, sem se deixar levar por
movimentos de curto prazo.
O mercado atual reflete a complexidade de decisões baseadas
em informações fragmentadas. Charlie McElligott, da Nomura, destaca que
investidores foram compelidos a comprar durante a alta, mesmo com reservas
sobre o cenário macroeconômico. Dados da JPMorgan mostram forte entrada de
capital varejista em ações e ETFs, em níveis não vistos desde 2017, enquanto
fundos de hedge elevaram sua alavancagem ao percentil 96. No entanto,
investidores sistemáticos reduziram exposição acionária, conforme Goldman Sachs,
sugerindo cautela. Para o Mosca, esse contraste indica um mercado suscetível a
reversões.
A correlação negativa entre o VIX e o S&P 500 durante
quedas é evidente (-0,68 em 30 dias), mas, como Kaissar aponta, um VIX elevado
não antecipa a direção futura. Desde 1990, o S&P 500 subiu em 68% dos casos
nos 30 dias seguintes aos picos do VIX, um comportamento semelhante a períodos
de baixa volatilidade. Isso reforça a visão do Mosca de que os fundamentos –
como o crescimento dos lucros corporativos – são o alicerce da tendência de
alta, mesmo em meio à incerteza.
O momento exige paciência. A reunião do Federal Reserve esta
semana, com possíveis sinalizações para junho e julho, pode influenciar o
mercado. As tarifas de Trump representam uma variável de peso, com desfechos
que podem tanto impulsionar quanto prejudicar as ações.
Onde estamos hoje? Para usar uma metáfora do futebol, o jogo
está empatado aos 45 minutos do segundo tempo, e o árbitro marcou um pênalti –
com a ressalva de que apenas a vitória garante a continuidade. O gráfico a
seguir compara o momento atual com movimentos históricos em períodos de
correções ou mercados de baixa. Assim como o pênalti pode definir o destino do
time, os próximos dias podem indicar a direção futura. Será, então, uma questão
de cara ou coroa?
Análise Técnica
Hoje é um dos raros dias em que a análise econômica converge
com a análise técnica, uma coincidência marcante! No post “A teoria aplicada na
prática”, fiz os seguintes comentários sobre o S&P 500: “A bolsa
americana recuperou grande parte da recente queda e encontra-se em um ponto
crítico para sabermos quais serão os próximos passos. Não posso descartar a
possibilidade de novas quedas mencionadas anteriormente.” [...] “No curto
prazo, o nível de 5.101 merece atenção, pois sua ruptura aumenta as chances de
novas quedas. Por outro lado, ultrapassar 5.581 ou 5.804 pode indicar um
cenário mais promissor. Por enquanto, nada a fazer.”
O primeiro nível, 5.581, foi ultrapassado, elevando
ligeiramente (em cerca de 1%) a probabilidade de novas altas. Contudo, como
destaquei, o nível de 5.804 ainda precisa ser superado, o que exige um avanço
de aproximadamente 3%. Não quero que o leitor se anime com esse 1% a mais, pois
ele pode ser facilmente revertido.
Enfatizo que a possibilidade de formação de um triângulo,
conforme comentei anteriormente, não está descartada. Para que o leitor
visualize essa hipótese, anexo a seguir um gráfico semanal, destacado com a
linha azul. Nesse cenário, o jogo permanece empatado, mas estaríamos no início
do segundo tempo, o que deixaria o desfecho indefinido por um período mais
longo.
O S&P500 fechou a 5.606. com queda de 0,75%; o USDBRL a
R$ 5,7096, com alta de 0,39%; o EURUSD a € 1,1373, com alta de 0,52%; e o ouro
a U$ 3.422, com alta de 2,66%.
Fique ligado!
Estava vendo um vídeo de um brasileiro no Walmart mostrando uma TV OLED com o mesmo preço do Brasil. Algo errado não está certo.
ResponderExcluirNão entendi, por que não poderiam ter o mesmo preço? Acho que é diferente do Iphone
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