Trump: Inside Information? #S&P 500
O Mosca provoca uma reflexão instigante sobre as ações de
Donald Trump, questionando se suas movimentações como presidente dos Estados
Unidos refletem uma estratégia diplomática ou o uso de posições privilegiadas
para ganhos pessoais. Como o Mosca observa, entre 2 de abril e 12 de maio de
2025, um período de apenas 40 dias, o mercado financeiro mostra estabilidade,
com uma alta de 2% contra uma queda de 4,7% desde o pico histórico de 19 de
fevereiro. Contudo, as manchetes do Wall Street Journal revelam um Trump que
navega entre acordos globais e negócios familiares, especialmente no Oriente
Médio, borrando a linha entre interesse público e privado.
No centro do debate está a oferta do Qatar: um avião de luxo
de US$ 400 milhões, que serviria como Air Force One durante o mandato de Trump
e, após, seria transferido para sua biblioteca presidencial. Trump, com seu
pragmatismo característico, compara a aceitação a um gimme no golfe – um
gesto que agiliza o jogo. “Seria estúpido não aceitar”, declara, conforme o
Wall Street Journal. A proposta, porém, levanta questões éticas. A Cláusula de
Emolumentos Estrangeiros da Constituição americana veta presentes de governos
estrangeiros sem aprovação congressional, visando evitar influências indevidas.
Críticos, de democratas a aliados como Ben Shapiro, alertam para o risco de
comprometimento, sobretudo diante dos negócios da família Trump no Qatar, como
o resort de golfe em um projeto estatal.
Essa não é uma questão isolada. No Oriente Médio, a família
Trump e seus aliados expandem negócios em ritmo acelerado, conforme detalha o
Wall Street Journal. Em sua turnê por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e
Qatar, Trump busca investimentos bilionários para os EUA, mas os interesses
privados de sua família se entrelaçam com a agenda pública. Nos últimos 12
meses, torres com a marca Trump surgiram em Dubai e Jeddah, e um resort de
golfe foi anunciado no Qatar, com Eric Trump ao lado de um ministro local. Um
fundo estatal dos Emirados investiu US$ 2 bilhões em uma exchange de
criptomoedas usando a stablecoin da World Liberty Financial, empresa ligada à
família Trump, onde o presidente é “Chief Crypto Advocate”. Jared Kushner,
genro de Trump, também captou mais de US$ 3,5 bilhões de fundos soberanos do
Golfo para seu fundo de private equity.
David Schenker, ex-oficial do Departamento de Estado, chama
essa fusão de geopolítica e negócios de “sem precedentes nos EUA”. Para o
Mosca, que testemunhou casos de informações privilegiadas nos anos 80 no
Brasil, o cenário evoca paralelos. Assim como a corretora carioca que operava
com precisão antes da divulgação de índices de inflação, as ações de Trump
sugerem um posicionamento que pode não ser mera coincidência. Estaria ele
negociando tarifas e acordos em prol dos EUA ou usando a Casa Branca para enriquecer
sua família?
No front comercial, Trump surpreende com uma trégua na
guerra tarifária com a China. Em abril, tarifas americanas sobre produtos
chineses atingiram 145%, com retaliações chinesas de até 125%. Em 12 de maio,
após negociações em Genebra, os EUA reduziram suas tarifas para 30% (incluindo
20% ligados ao fentanil), e a China cortou as suas para 10%, por 90 dias,
visando um acordo duradouro. Scott Bessent, secretário do Tesouro, afirma que
“nenhum lado quer o desacoplamento”. Economistas da UBS e Oxford Economics
revisam as chances de recessão de 45% para 35% e projetam 0,4 ponto percentual
a mais no PIB americano em 2025. Teria sido algo pensado no caminho de se
beneficiar ou um arrependimento de suas tarifas astrofísicas?
Apesar do alívio, tarifas elevadas e incertezas persistem. Para o Mosca, o cerne não é apenas econômico, mas ético: estaria Trump, ao negociar com petrostados e reduzir tarifas, priorizando os EUA ou pavimentando lucros via criptomoedas e imóveis? A World Liberty Financial, com sua memecoin $TRUMP e eventos exclusivos, como o jantar de gala em um clube de golfe de Trump, reforça a percepção de que o presidente opera em uma zona cinzenta.
O Mosca, com décadas de experiência, sabe que informações
privilegiadas movem mercados. Nos anos 80, ele observava, indignado, operações
suspeitas antecipando dados econômicos. Hoje, a indignação ecoa em escala
global. Trump, descrito por Kevin Madden como “um empresário que por acaso é
presidente”, joga em um campo onde negócios e política se misturam sem pudor. A
falta de pressão política em Washington, como aponta Robert Mogielnicki,
permite que essas práticas prosperem, enquanto petrostados do Golfo, habituados
a mesclar comércio e poder, buscam influência na Casa Branca.
Em 40 dias, o mercado pode parecer lateralizado, mas as
ações de Trump traçam um caminho controverso. O Mosca questiona: estamos diante
de um negociador astuto ou de um presidente que transforma a Casa Branca em uma
corretora de luxo? As próximas manchetes podem responder.
Análise Técnica
No post “Cara ou Coroa” fiz os seguintes comentários sobre o
S&P 500: ”O primeiro nível, 5.581, foi ultrapassado, elevando
ligeiramente (em cerca de 1%) a probabilidade de novas altas. Contudo, como
destaquei, o nível de 5.804 ainda precisa ser superado, o que exige um avanço
de aproximadamente 3%”.
Missão cumprida! A bolsa superou a marca de 5.804, e
as chances de novas altas aumentaram significativamente. Não é à toa que, entre
ontem e hoje, diversas casas de análise reduziram a probabilidade de uma
recessão. Dentre as que acompanho, destaco:
- Goldman
Sachs: reduziu de 45% para 30%
- Ed
Yardeni: reduziu de 45% para 25%
O que veio primeiro, o ovo ou a galinha? A alta da bolsa
motivou essas revisões, ou a bolsa subiu por causa delas? Pouco importa. A
verdade é que o S&P 500 literalmente deu meia-volta.
Vamos ao que interessa: é hora de comprar ou não? A onda
5 azul, que está se formando, parece meio “desajeitada”, sem as
características de uma onda direcional clássica, o que se alinha ao cenário
atual. Por ser uma onda final e considerando esse aspecto, vou classificá-la
como uma onda 5 vermelha diagonal. Com base nesse critério, uma
oportunidade de compra pode surgir ao final da onda 4 vermelha, que precisaria
cair abaixo de 5.450.
Aviso: Quero deixar claro que a possibilidade de uma queda mais acentuada ou até mesmo a formação de um triângulo não pode ser descartada. Essa hipótese só será eliminada após a superação de 6.100.
O S&P 500 fechou a 5.886, com alta de 0,72%; o USDBRL a
R$ 5,6054, com queda de 1,22%; o EURUSD a € 1,1188, com alta de 0,90%; e o ouro
a U$ 3.248, com alta 0,46%.
Fique ligado!
Comentários
Postar um comentário