Ficando Só com o Burro #USDBRL

 


O mundo despertou mais otimista hoje, após autoridades americanas e chinesas anunciarem em Genebra uma trégua de 90 dias na guerra comercial que abala a economia global. As tarifas, que atingiram 145% sobre importações chinesas nos EUA e 125% sobre bens americanos na China, serão reduzidas a 30% e 10%, respectivamente, conforme a Bloomberg. A parábola do homem que, angustiado com um burro em sua sala, segue o conselho de um padre para adicionar mais animais, só para sentir alívio ao removê-los e ficar com o burro, ilustra esse momento. A trégua, porém, é apenas uma pausa em negociações complexas, e o entusiasmo dos mercados pode ser tão fugaz quanto o alívio da história.

A redução das tarifas não apaga o risco de um comércio global fragmentado. As políticas protecionistas de Donald Trump, em seu segundo mandato, continuam a desafiar as cadeias de suprimento. A trégua, liderada pelo Secretário do Tesouro Scott Bessent, indica que nem Trump nem Xi Jinping buscam o “desacoplamento” total, com a China suspendendo restrições a exportações de terras raras e os EUA mirando acordos de compra para reduzir o déficit comercial. Ainda assim, John Authers alerta que a falta de detalhes e o histórico de acordos frágeis, como o “Phase One” de 2020, sugerem que a euforia do mercado pode ser prematura.




Internamente, a China enfrenta uma economia fragilizada e opaca. O Wall Street Journal aponta que Pequim suspendeu a divulgação de indicadores como vendas de terras e desemprego juvenil, que chegou a 21,3% antes de ser suprimido em 2023. Essa falta de transparência, em meio a dívidas, colapso imobiliário e ansiedade da classe média, reflete a “gaiola” descrita por Chen Yun: a economia voa, mas sob o controle rígido do Partido Comunista. Economistas recorrem a dados alternativos, como bilheterias e luzes noturnas, para estimar o crescimento real, que pode ser tão baixo quanto 2%.

Nos EUA, as tarifas de Trump impactam o mercado de títulos. O Wall Street Journal reporta que os rendimentos dos Treasurys de longo prazo subiram para 4,37%, impulsionados por incertezas sobre inflação e déficits fiscais ampliados por propostas de cortes tributários. Essa divergência entre rendimentos de curto e longo prazo complica os esforços do Federal Reserve para estimular a economia. Pequenas empresas, que geram 80% das vagas de emprego, enfrentam dificuldades para realocar fornecedores, correndo risco de demissões se as tarifas persistirem.




A trégua de 90 dias é um alívio temporário, mas não a solução. Como na parábola, o mundo retorna a um problema que, embora menos caótico, permanece. A China lida com deflação e excesso de bens não vendidos, enquanto os EUA enfrentam pressões inflacionárias e volatilidade financeira. A imprevisibilidade de Trump e a postura rígida de Xi podem reacender tensões. Os mercados celebram, com alta de 3% nos futuros do S&P 500 e fortalecimento do yuan, mas a cautela é necessária.

A opacidade chinesa intensifica a desconfiança global. A suspensão de dados como produção de molho de soja e cremações reflete o controle narrativo de Pequim, especialmente diante da crise imobiliária, que devastou a riqueza familiar. Enquanto o mundo tenta decifrar a China por meios indiretos, a falta de clareza prejudica investidores e complica negociações comerciais.




A trégua pode permitir à China estimular sua economia, com o Banco Popular da China tendo espaço para afrouxar a política monetária, enquanto os EUA enfrentam riscos inflacionários. Contudo, acordos comerciais frágeis, como o “Phase One”, mostram que promessas nem sempre se cumprem. O mundo não deve se iludir com o alívio momentâneo. Como na parábola, o “burro” original – um comércio global tenso e economias sob pressão – ainda está na sala, esperando uma resolução que pode não vir.

 

Análise Técnica

No post “sempre-na-pole-position” fiz os seguintes comentários sobre o dólar: “Embora o dólar esteja no mesmo patamar da semana passada, houve uma tentativa de alta que não se sustentou. Por enquanto, o intervalo entre R$ 5,42 e R$ 5,40 parece ser o objetivo mais provável para o atual movimento de queda”.




Realizei um pequeno ajuste no stop loss para R$ 5,72, considerando a decomposição do movimento em janelas menores, conforme as tecnicidades da Teoria das Ondas de Elliott. Antes de comemorar, é importante alertar que, até o momento, a queda ocorreu em três ondas, como destacado pela linha azul. Para confirmar o movimento, é essencial que o nível de R$ 5,60 seja rompido. Vale mencionar que o stop loss tecnicamente correto seria R$ 5,76, mas optei por fixá-lo em R$ 5,72, considerado o “ideal” para esse tipo de trade.




O S&P500 fechou a 5.844, com alta de 3,26%; o USDBRL a R$ 5,6803, com alta de 0,44%; o EURUSD a € 1,0940, com queda de 1,36%; e o ouro a U$ 3.232, com queda de 2,60%.

Fique ligado!

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